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Baleias jubarte: a temporada na Praia do Forte

De onde vêm, quando passam, como é o passeio de barco e as regras que protegem as baleias e seus filhotes.

De julho a outubro, quem olha o mar da Praia do Forte com calma às vezes vê um borrifo branco subindo no horizonte. É uma jubarte respirando. Elas vêm de muito longe, ficam alguns meses e vão embora, e essa visita anual virou um dos espetáculos de natureza mais bonitos da Bahia.

Uma viagem de quase 9 mil quilômetros

As jubartes que passam pela costa brasileira se alimentam no verão austral nas águas geladas da região da Geórgia do Sul, perto da Antártica, onde comem krill. No inverno, sobem até o litoral do Brasil para acasalar, parir e amamentar os filhotes em águas mais quentes e protegidas. Somando ida e volta, a migração passa de 9 mil quilômetros por ano. A maior concentração fica no Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, mas elas também passam pelo litoral norte, em frente à Praia do Forte.

Uma adulta chega a 16 metros e cerca de 40 toneladas. As nadadeiras peitorais, longas e brancas, são marca da espécie, e a cauda que aparece no mergulho tem desenho único, como uma impressão digital, que os pesquisadores usam para identificar cada animal.

Da quase extinção à recuperação

A caça quase acabou com as jubartes no Atlântico Sul. Quando o Projeto Baleia Jubarte começou, em 1988, a estimativa era de cerca de mil animais na costa brasileira. Hoje, segundo o Instituto Baleia Jubarte, são mais de 30 mil. Os censos aéreos recentes dão números entre 25 e 35 mil, conforme o ano e o método. É uma das histórias de conservação mais bem-sucedidas do país.

O Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1996, tem sede em Caravelas e escritório na Praia do Forte, na avenida do farol. É ele que, desde o começo dos anos 2000, treina tripulações de operadoras da vila e acompanha o turismo de observação.

Quando ir

Na Praia do Forte, a temporada vai de julho a outubro, às vezes com animais até novembro. Agosto e setembro costumam ser apostas seguras. O mar de inverno pode ser mais mexido, e por isso as saídas da manhã, antes de o vento apertar, são as preferidas.

Como é o passeio

Os passeios são feitos por operadoras de turismo, em barcos que saem da vila e passam algumas horas no mar à procura dos animais. Nas operadoras parceiras do Instituto, às vezes há pesquisador ou monitor a bordo explicando o que se vê. Não há garantia de avistamento, nem de salto: há dias de baleia colada no barco e dias de só ver o borrifo de longe. Faz parte.

As regras que protegem as baleias

A norma federal de observação de cetáceos, do Ibama e do ICMBio, exige que o barco com motor engrenado fique a pelo menos 100 metros das jubartes, sem perseguir, cercar ou cortar o caminho do grupo, e limita o tempo de permanência perto dos animais, menor quando há filhote. Molestar baleia é crime. Na prática, um bom operador:

  • reduz a velocidade bem antes de chegar perto e não faz manobra brusca;
  • deixa o motor em neutro quando a baleia se aproxima por conta própria;
  • não se mete entre a mãe e o filhote;
  • respeita o tempo máximo e vai embora sem insistir.

Se o seu barco não fizer isso, reclame. A melhor forma de proteger as baleias é escolher quem as respeita.

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Fontes consultadas

Horários, preços e regras mudam: confirme com o local antes de ir.